{"id":5672,"date":"2015-01-30T14:35:00","date_gmt":"2015-01-30T14:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/noticias\/hora-de-avancar-com-coragem-2\/"},"modified":"2015-01-30T14:35:00","modified_gmt":"2015-01-30T14:35:00","slug":"hora-de-avancar-com-coragem-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/noticias\/hora-de-avancar-com-coragem-2\/","title":{"rendered":"Hora de avan\u00e7ar com coragem"},"content":{"rendered":"<div class=\"ftpimagefix\" style=\"float:left\"><img decoding=\"async\" width=\"250\" alt=\"2\" src=\"http:\/\/economiasc.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/2-168x300.jpg\"><\/div>\n<p><strong>Por Jos\u00e9 \u00c1lvaro de Lima Cardoso*<\/strong><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas as desigualdades sociais t\u00eam aumentado, de uma forma geral, nos pa\u00edses desenvolvidos, asi\u00e1ticos e africanos. Os dados s\u00e3o dram\u00e1ticos e v\u00eam piorando nos anos recentes, especialmente ap\u00f3s a crise de 2007\/2008, cujos desdobramentos continuam. Atualmente, 1% das fam\u00edlias det\u00e9m aproximadamente 46% da riqueza mundial. No outro extremo a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o mundial possui uma riqueza inferior \u00e0 apropriada pelas 85 pessoas mais ricas do mundo. Sete em cada dez pessoas residem em pa\u00edses cuja concentra\u00e7\u00e3o da renda aumentou nos \u00faltimos anos. Ao mesmo tempo, as \u201csa\u00eddas\u201d adotadas para enfrentar a crise, especialmente a \u201cfinanceiriza\u00e7\u00e3o\u201d da gest\u00e3o empresarial e a primazia do curto prazo na administra\u00e7\u00e3o das empresas s\u00f3 agravaram esse processo. As pol\u00edticas de austeridade adotadas na Zona do Euro tornam isso muito evidente. Os cortes nos gastos p\u00fablicos empobrecem as pessoas e as empresas de uma forma dram\u00e1tica e, ademais, o cr\u00e9dito desaparece.<\/p>\n<p>No Brasil, apesar da pobreza e superficialidade no n\u00edvel do debate, o perfil de distribui\u00e7\u00e3o da renda est\u00e1 na melhor situa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Em fun\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de pol\u00edticas, a trajet\u00f3ria da distribui\u00e7\u00e3o da renda no Brasil vem caminhando na dire\u00e7\u00e3o oposta ao que ocorre nos pa\u00edses desenvolvidos. Entre 2002 e 2012, as despesas sociais no pa\u00eds com impacto redistributivo aumentaram 183% em termos reais (acima da infla\u00e7\u00e3o). Somente o aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo (SM), de 76,62%, entre 2002 e 2015, propiciou aumentos reais no rendimento de milh\u00f5es de trabalhadores que recebem este valor, al\u00e9m dos benefici\u00e1rios da Seguridade Social com benef\u00edcios de valor at\u00e9 um SM. Os aumentos reais do SM t\u00eam, tamb\u00e9m, reflexos nos valores dos pisos das categorias, que acabam pressionando para cima uma parte significativa da escala salarial, especialmente na base da pir\u00e2mide de rendimentos.<\/p>\n<p>O Programa Bolsa Fam\u00edlia, o preferido dos cr\u00edticos mais rasteiros, \u00e9 uma das a\u00e7\u00f5es mais importantes e com o melhor custo\/benef\u00edcio de todas as iniciativas. Retira 55 milh\u00f5es de brasileiros da fome, com um investimento que representa apenas 0,45% do PIB, insignificante no contexto do or\u00e7amento federal. Para termos ideia do significado do custo do Bolsa Fam\u00edlia, o governo federal desembolsa em m\u00e9dia por ano, com os juros da d\u00edvida p\u00fablica, cerca de R$ 250 bilh\u00f5es, equivalente a 10 vezes o gasto com o Programa Bolsa Fam\u00edlia. S\u00e3o alguns milhares de super ricos, tamb\u00e9m conhecidos como \u201crentistas\u201d, que levam anualmente, sem maiores esfor\u00e7os e sem colocar o p\u00e9 na f\u00e1brica, 6% do s\u00e9timo PIB do planeta. E praticamente n\u00e3o se fala sobre isso, seja pela complexidade do assunto para os n\u00e3o \u201cespecialistas\u201d, seja em decorr\u00eancia da influ\u00eancia que os rentistas t\u00eam sobre a forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica nacional. A compreens\u00e3o deste tema \u00e9 vital, especialmente neste momento em que as margens de defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas se reduziram em fun\u00e7\u00e3o da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e do d\u00e9ficit externo do Brasil.<\/p>\n<p>O processo de melhoria da quest\u00e3o social \u00e9 t\u00e3o importante no pa\u00eds que, segundo relat\u00f3rio recente da ONU, o Brasil reduziu em 75% a pobreza extrema, definida como o n\u00famero de pessoas com renda inferior a US$ 1 ao dia, entre 2001 e 2012. Segundo a FAO (organismo da ONU respons\u00e1vel pela quest\u00e3o alimentar), desde 1990, o percentual dos brasileiros que passam fome caiu de 14,8% para 1,7% da popula\u00e7\u00e3o, equivalente a 3,4 milh\u00f5es de pessoas. Para o referido organismo da ONU, percentual abaixo dos 5% indica que o pa\u00eds n\u00e3o tem mais fome estrutural, mas somente bols\u00f5es isolados de famintos. O acontecimento \u00e9 um dos mais importantes no Brasil nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u2013 se n\u00e3o o mais \u2013 considerando que cerca de 800 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo enfrentam uma luta di\u00e1ria para obter comida, a maioria delas concentrada em regi\u00f5es em situa\u00e7\u00f5es de conflitos ou com situa\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas.<\/p>\n<p>Mesmo sendo fundamentais, as melhorias do Brasil s\u00e3o apenas o come\u00e7o, pois o pa\u00eds ainda se encontra no grupo das na\u00e7\u00f5es mais desiguais do mundo. O desafio principal nesse campo consiste em manter o ritmo de diminui\u00e7\u00e3o da desigualdade, o que pressup\u00f5e acelerar o crescimento da economia. O que n\u00e3o \u00e9 simples, pois a economia mundial vive uma grave crise desde 2008, que n\u00e3o poupou nenhum pa\u00eds. Inclusive os emergentes, que de forma diferenciada tamb\u00e9m foram atingidos (no caso da China significou uma desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento de 11% para 7,5%). Todo esse processo sofre um agravante: as conquistas recentes da sociedade brasileira no campo da renda j\u00e1 foram metabolizadas pelas novas gera\u00e7\u00f5es. Para os jovens \u00e9 como se as menores taxas de desemprego da hist\u00f3ria e a gradativa melhoria da distribui\u00e7\u00e3o de renda n\u00e3o fossem uma dura conquista da sociedade, mas um elemento presente na paisagem pol\u00edtica e social do pa\u00eds, desde sempre.<\/p>\n<p><strong>*Jos\u00e9 \u00c1lvaro de Lima Cardoso \u00e9 economista e supervisor t\u00e9cnico do Dieese em Santa Catarina<\/strong><\/p>\n<p>The post Hora de avan\u00e7ar com coragem appeared first on Economia SC.<\/p>\n<p>Via: <a href=\"http:\/\/economiasc.com.br\/hora-de-avancar-com-coragem\/\" class=\"colorbox\" title=\"Hora de avan\u00e7ar com coragem\">economiasc.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"ftpimagefix\" style=\"float:left\"><img decoding=\"async\" width=\"250\" alt=\"2\" src=\"http:\/\/economiasc.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/2-168x300.jpg\"><\/div>\n<p><strong>Por Jos\u00e9 \u00c1lvaro de Lima Cardoso*<\/strong><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas as desigualdades sociais t\u00eam aumentado, de uma forma geral, nos pa\u00edses desenvolvidos, asi\u00e1ticos e africanos. Os dados s\u00e3o dram\u00e1ticos e v\u00eam piorando nos anos recentes, especialmente ap\u00f3s a crise de 2007\/2008, cujos desdobramentos continuam. Atualmente, 1% das fam\u00edlias det\u00e9m aproximadamente 46% da riqueza mundial. No outro extremo a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o mundial possui uma riqueza inferior \u00e0 apropriada pelas 85 pessoas mais ricas do mundo. Sete em cada dez pessoas residem em pa\u00edses cuja concentra\u00e7\u00e3o da renda aumentou nos \u00faltimos anos. Ao mesmo tempo, as \u201csa\u00eddas\u201d adotadas para enfrentar a crise, especialmente a \u201cfinanceiriza\u00e7\u00e3o\u201d da gest\u00e3o empresarial e a primazia do curto prazo na administra\u00e7\u00e3o das empresas s\u00f3 agravaram esse processo. As pol\u00edticas de austeridade adotadas na Zona do Euro tornam isso muito evidente. Os cortes nos gastos p\u00fablicos empobrecem as pessoas e as empresas de uma forma dram\u00e1tica e, ademais, o cr\u00e9dito desaparece.<\/p>\n<p>No Brasil, apesar da pobreza e superficialidade no n\u00edvel do debate, o perfil de distribui\u00e7\u00e3o da renda est\u00e1 na melhor situa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Em fun\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de pol\u00edticas, a trajet\u00f3ria da distribui\u00e7\u00e3o da renda no Brasil vem caminhando na dire\u00e7\u00e3o oposta ao que ocorre nos pa\u00edses desenvolvidos. Entre 2002 e 2012, as despesas sociais no pa\u00eds com impacto redistributivo aumentaram 183% em termos reais (acima da infla\u00e7\u00e3o). Somente o aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo (SM), de 76,62%, entre 2002 e 2015, propiciou aumentos reais no rendimento de milh\u00f5es de trabalhadores que recebem este valor, al\u00e9m dos benefici\u00e1rios da Seguridade Social com benef\u00edcios de valor at\u00e9 um SM. Os aumentos reais do SM t\u00eam, tamb\u00e9m, reflexos nos valores dos pisos das categorias, que acabam pressionando para cima uma parte significativa da escala salarial, especialmente na base da pir\u00e2mide de rendimentos.<\/p>\n<p>O Programa Bolsa Fam\u00edlia, o preferido dos cr\u00edticos mais rasteiros, \u00e9 uma das a\u00e7\u00f5es mais importantes e com o melhor custo\/benef\u00edcio de todas as iniciativas. Retira 55 milh\u00f5es de brasileiros da fome, com um investimento que representa apenas 0,45% do PIB, insignificante no contexto do or\u00e7amento federal. Para termos ideia do significado do custo do Bolsa Fam\u00edlia, o governo federal desembolsa em m\u00e9dia por ano, com os juros da d\u00edvida p\u00fablica, cerca de R$ 250 bilh\u00f5es, equivalente a 10 vezes o gasto com o Programa Bolsa Fam\u00edlia. S\u00e3o alguns milhares de super ricos, tamb\u00e9m conhecidos como \u201crentistas\u201d, que levam anualmente, sem maiores esfor\u00e7os e sem colocar o p\u00e9 na f\u00e1brica, 6% do s\u00e9timo PIB do planeta. E praticamente n\u00e3o se fala sobre isso, seja pela complexidade do assunto para os n\u00e3o \u201cespecialistas\u201d, seja em decorr\u00eancia da influ\u00eancia que os rentistas t\u00eam sobre a forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica nacional. A compreens\u00e3o deste tema \u00e9 vital, especialmente neste momento em que as margens de defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas se reduziram em fun\u00e7\u00e3o da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e do d\u00e9ficit externo do Brasil.<\/p>\n<p>O processo de melhoria da quest\u00e3o social \u00e9 t\u00e3o importante no pa\u00eds que, segundo relat\u00f3rio recente da ONU, o Brasil reduziu em 75% a pobreza extrema, definida como o n\u00famero de pessoas com renda inferior a US$ 1 ao dia, entre 2001 e 2012. Segundo a FAO (organismo da ONU respons\u00e1vel pela quest\u00e3o alimentar), desde 1990, o percentual dos brasileiros que passam fome caiu de 14,8% para 1,7% da popula\u00e7\u00e3o, equivalente a 3,4 milh\u00f5es de pessoas. Para o referido organismo da ONU, percentual abaixo dos 5% indica que o pa\u00eds n\u00e3o tem mais fome estrutural, mas somente bols\u00f5es isolados de famintos. O acontecimento \u00e9 um dos mais importantes no Brasil nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u2013 se n\u00e3o o mais \u2013 considerando que cerca de 800 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo enfrentam uma luta di\u00e1ria para obter comida, a maioria delas concentrada em regi\u00f5es em situa\u00e7\u00f5es de conflitos ou com situa\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas.<\/p>\n<p>Mesmo sendo fundamentais, as melhorias do Brasil s\u00e3o apenas o come\u00e7o, pois o pa\u00eds ainda se encontra no grupo das na\u00e7\u00f5es mais desiguais do mundo. O desafio principal nesse campo consiste em manter o ritmo de diminui\u00e7\u00e3o da desigualdade, o que pressup\u00f5e acelerar o crescimento da economia. O que n\u00e3o \u00e9 simples, pois a economia mundial vive uma grave crise desde 2008, que n\u00e3o poupou nenhum pa\u00eds. Inclusive os emergentes, que de forma diferenciada tamb\u00e9m foram atingidos (no caso da China significou uma desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento de 11% para 7,5%). Todo esse processo sofre um agravante: as conquistas recentes da sociedade brasileira no campo da renda j\u00e1 foram metabolizadas pelas novas gera\u00e7\u00f5es. Para os jovens \u00e9 como se as menores taxas de desemprego da hist\u00f3ria e a gradativa melhoria da distribui\u00e7\u00e3o de renda n\u00e3o fossem uma dura conquista da sociedade, mas um elemento presente na paisagem pol\u00edtica e social do pa\u00eds, desde sempre.<\/p>\n<p><strong>*Jos\u00e9 \u00c1lvaro de Lima Cardoso \u00e9 economista e supervisor t\u00e9cnico do Dieese em Santa Catarina<\/strong><\/p>\n<p>The post Hora de avan\u00e7ar com coragem appeared first on Economia SC.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-5672","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","no-post-thumbnail"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5672","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5672"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5672\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5672"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5672"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5672"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}