{"id":5209,"date":"2014-12-17T14:13:00","date_gmt":"2014-12-17T14:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/noticias\/commodities-o-preco-da-dependencia\/"},"modified":"2014-12-17T14:13:00","modified_gmt":"2014-12-17T14:13:00","slug":"commodities-o-preco-da-dependencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/noticias\/commodities-o-preco-da-dependencia\/","title":{"rendered":"Commodities, o pre\u00e7o da depend\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div class=\"ftpimagefix\" style=\"float:left\"><img decoding=\"async\" width=\"250\" alt=\"Luiz Henrique Belloni Faria_OESC\" src=\"http:\/\/economiasc.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Luiz-Henrique-Belloni-Faria_OESC-254x300.jpg\"><\/div>\n<p><strong>Por Luiz Henrique Belloni Faria*<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil prioriza a exporta\u00e7\u00e3o de commodities em detrimento das exporta\u00e7\u00f5es de bens de maior valor agregado, fato extremamente preocupante, pois o atual modelo econ\u00f4mico est\u00e1 nos empurrando para uma \u201cprimariza\u00e7\u00e3o\u201d da economia em rela\u00e7\u00e3o a outras mundiais. Est\u00e1 se tentando mudar esse foco, mas h\u00e1 muito tempo esse processo foi semeado e ganhou uma robustez tamanha que as dificuldades \u00e0s mudan\u00e7as s\u00e3o enormes.<\/p>\n<p>Veja que curioso: desde o s\u00e9culo 19 o Brasil \u00e9 o maior produtor mundial e exportador de gr\u00e3os de caf\u00e9, mas o maior exportador de caf\u00e9 industrializado \u00e9 a Alemanha, que n\u00e3o possui um p\u00e9 de caf\u00e9. Cerca de 80% da soja produzida no pa\u00eds \u00e9 destinada ao mercado externo, enquanto as exporta\u00e7\u00f5es de derivados de soja, que possuem maior valor agregado, caem ano a ano. O min\u00e9rio de ferro, que \u00e9 o insumo utilizado para produzir a\u00e7o, \u00e9 um dos principais itens da nossa pauta de exporta\u00e7\u00f5es. Por outro lado, a balan\u00e7a comercial dos setores que possuem o a\u00e7o como principal mat\u00e9ria-prima (autom\u00f3veis, m\u00e1quinas, equipamentos etc.) \u00e9 totalmente deficit\u00e1ria. No caso espec\u00edfico do setor de m\u00e1quinas e equipamentos, o d\u00e9ficit acumulado nos \u00faltimos dez anos \u00e9 superior a US$ 60 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Somente os que n\u00e3o desejam enxergar n\u00e3o percebem que o Brasil n\u00e3o \u00e9 competitivo. A falta de incentivo aos investimentos, o c\u00e2mbio atual, a taxa de juros mais alta do mundo, o custo Brasil, a alta carga tribut\u00e1ria e a inefici\u00eancia de infraestrutura, imp\u00f5em \u00e0 ind\u00fastria brasileira de transforma\u00e7\u00e3o uma perda de competitividade que reduz as ind\u00fastrias que produzem bens de alto valor agregado. Essas \u00e9 que s\u00e3o respons\u00e1veis por gerar milh\u00f5es de empregos qualificados, portanto, pagam melhores sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Uma nova pol\u00edtica macroecon\u00f4mica faz-se necess\u00e1ria, mesmo sabendo que os resultados dela adv\u00eam a m\u00e9dio e longo prazo. Existe exemplo melhor que a China?<\/p>\n<p>Somos um pa\u00eds com dimens\u00f5es continentais e populoso. Essa mina de diamante n\u00e3o \u00e9 vista como potencial econ\u00f4mico, muito pelo contr\u00e1rio, muitas vezes como um problema, por muitos administradores, principalmente p\u00fablicos. Faz-se necess\u00e1rio pensar e agir de forma grandiosa para que o Brasil venha a ser real\u00edstico, sem heresias, mais justo, gerador e distribuidor de riquezas, um pa\u00eds que educa e que cuida da sa\u00fade do seu povo.<\/p>\n<p>Digo frequentemente e n\u00e3o canso de repetir que n\u00e3o existe pa\u00eds desenvolvido sem uma ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o forte. Recentemente no Brasil come\u00e7amos a ouvir com mais frequ\u00eancia uma frase que foi parte de um pronunciamento feito no parlamento brit\u00e2nico em 1721: \u201cnada contribui mais para promover o bem-estar p\u00fablico do que a exporta\u00e7\u00e3o de bens manufaturados e a importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima estrangeira\u201d. Isso mostra que o Brasil andou na contram\u00e3o dos pa\u00edses ricos e desenvolvidos, ou seja, aquilo que eles fizeram e continuam fazendo h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou contra a produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de commodities, mas estou convicto que somente isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para gerar o super\u00e1vit necess\u00e1rio na balan\u00e7a de pagamentos e quantidade de empregos que o pa\u00eds necessita.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel fazermos as duas coisas (commodities e ind\u00fastria), mas s\u00e3o prementes medidas emergenciais, pois, caso contr\u00e1rio, corre-se o risco de n\u00e3o se oportunizar ao Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de se constituir em uma na\u00e7\u00e3o desenvolvida.<\/p>\n<p><strong>*Luiz Henrique Belloni Faria \u00e9 presidente da Ordem dos Economistas de Santa Catarina (OESC)<\/strong><\/p>\n<p>The post Commodities, o pre\u00e7o da depend\u00eancia appeared first on Economia SC.<\/p>\n<p>Via: <a href=\"http:\/\/economiasc.com.br\/commodities-o-preco-da-dependencia\/\" class=\"colorbox\" title=\"Commodities, o pre\u00e7o da depend\u00eancia\">economiasc.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"ftpimagefix\" style=\"float:left\"><img decoding=\"async\" width=\"250\" alt=\"Luiz Henrique Belloni Faria_OESC\" src=\"http:\/\/economiasc.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Luiz-Henrique-Belloni-Faria_OESC-254x300.jpg\"><\/div>\n<p><strong>Por Luiz Henrique Belloni Faria*<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil prioriza a exporta\u00e7\u00e3o de commodities em detrimento das exporta\u00e7\u00f5es de bens de maior valor agregado, fato extremamente preocupante, pois o atual modelo econ\u00f4mico est\u00e1 nos empurrando para uma \u201cprimariza\u00e7\u00e3o\u201d da economia em rela\u00e7\u00e3o a outras mundiais. Est\u00e1 se tentando mudar esse foco, mas h\u00e1 muito tempo esse processo foi semeado e ganhou uma robustez tamanha que as dificuldades \u00e0s mudan\u00e7as s\u00e3o enormes.<\/p>\n<p>Veja que curioso: desde o s\u00e9culo 19 o Brasil \u00e9 o maior produtor mundial e exportador de gr\u00e3os de caf\u00e9, mas o maior exportador de caf\u00e9 industrializado \u00e9 a Alemanha, que n\u00e3o possui um p\u00e9 de caf\u00e9. Cerca de 80% da soja produzida no pa\u00eds \u00e9 destinada ao mercado externo, enquanto as exporta\u00e7\u00f5es de derivados de soja, que possuem maior valor agregado, caem ano a ano. O min\u00e9rio de ferro, que \u00e9 o insumo utilizado para produzir a\u00e7o, \u00e9 um dos principais itens da nossa pauta de exporta\u00e7\u00f5es. Por outro lado, a balan\u00e7a comercial dos setores que possuem o a\u00e7o como principal mat\u00e9ria-prima (autom\u00f3veis, m\u00e1quinas, equipamentos etc.) \u00e9 totalmente deficit\u00e1ria. No caso espec\u00edfico do setor de m\u00e1quinas e equipamentos, o d\u00e9ficit acumulado nos \u00faltimos dez anos \u00e9 superior a US$ 60 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Somente os que n\u00e3o desejam enxergar n\u00e3o percebem que o Brasil n\u00e3o \u00e9 competitivo. A falta de incentivo aos investimentos, o c\u00e2mbio atual, a taxa de juros mais alta do mundo, o custo Brasil, a alta carga tribut\u00e1ria e a inefici\u00eancia de infraestrutura, imp\u00f5em \u00e0 ind\u00fastria brasileira de transforma\u00e7\u00e3o uma perda de competitividade que reduz as ind\u00fastrias que produzem bens de alto valor agregado. Essas \u00e9 que s\u00e3o respons\u00e1veis por gerar milh\u00f5es de empregos qualificados, portanto, pagam melhores sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Uma nova pol\u00edtica macroecon\u00f4mica faz-se necess\u00e1ria, mesmo sabendo que os resultados dela adv\u00eam a m\u00e9dio e longo prazo. Existe exemplo melhor que a China?<\/p>\n<p>Somos um pa\u00eds com dimens\u00f5es continentais e populoso. Essa mina de diamante n\u00e3o \u00e9 vista como potencial econ\u00f4mico, muito pelo contr\u00e1rio, muitas vezes como um problema, por muitos administradores, principalmente p\u00fablicos. Faz-se necess\u00e1rio pensar e agir de forma grandiosa para que o Brasil venha a ser real\u00edstico, sem heresias, mais justo, gerador e distribuidor de riquezas, um pa\u00eds que educa e que cuida da sa\u00fade do seu povo.<\/p>\n<p>Digo frequentemente e n\u00e3o canso de repetir que n\u00e3o existe pa\u00eds desenvolvido sem uma ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o forte. Recentemente no Brasil come\u00e7amos a ouvir com mais frequ\u00eancia uma frase que foi parte de um pronunciamento feito no parlamento brit\u00e2nico em 1721: \u201cnada contribui mais para promover o bem-estar p\u00fablico do que a exporta\u00e7\u00e3o de bens manufaturados e a importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima estrangeira\u201d. Isso mostra que o Brasil andou na contram\u00e3o dos pa\u00edses ricos e desenvolvidos, ou seja, aquilo que eles fizeram e continuam fazendo h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou contra a produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de commodities, mas estou convicto que somente isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para gerar o super\u00e1vit necess\u00e1rio na balan\u00e7a de pagamentos e quantidade de empregos que o pa\u00eds necessita.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel fazermos as duas coisas (commodities e ind\u00fastria), mas s\u00e3o prementes medidas emergenciais, pois, caso contr\u00e1rio, corre-se o risco de n\u00e3o se oportunizar ao Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de se constituir em uma na\u00e7\u00e3o desenvolvida.<\/p>\n<p><strong>*Luiz Henrique Belloni Faria \u00e9 presidente da Ordem dos Economistas de Santa Catarina (OESC)<\/strong><\/p>\n<p>The post Commodities, o pre\u00e7o da depend\u00eancia appeared first on Economia SC.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-5209","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","no-post-thumbnail"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5209"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5209\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}