{"id":3220,"date":"2014-08-11T12:37:00","date_gmt":"2014-08-11T12:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/noticias\/crescimento-inflacao-e-taxa-de-juros\/"},"modified":"2014-08-11T12:37:00","modified_gmt":"2014-08-11T12:37:00","slug":"crescimento-inflacao-e-taxa-de-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/noticias\/crescimento-inflacao-e-taxa-de-juros\/","title":{"rendered":"Crescimento, infla\u00e7\u00e3o e taxa de juros"},"content":{"rendered":"<div class=\"ftpimagefix\" style=\"float:left\"><img decoding=\"async\" width=\"250\" alt=\"Perfil-Jose-Alvaro-Cardoso-222x300\" src=\"http:\/\/economiasc.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Perfil-Jose-Alvaro-Cardoso-222x300.jpg\"><\/div>\n<p>No acumulado no ano (janeiro a maio) a produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria geral registrou queda de 1,6%, no desagregado da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, a queda no per\u00edodo \u00e9 de -2,4%. N\u00e3o h\u00e1 melhor indica\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de atividade que os pr\u00f3prios dados do PIB. A crise internacional \u00e9 importante, mas n\u00e3o explica tudo. Em 2011, os chamados emergentes cresceram 6,4% e o Brasil, 2,7%. Em 2012, os emergentes 5,1% e o Brasil, 1%. Em 2013 os crescimentos foram, respectivamente, de 4,7% e o Brasil 2,5%. Para este ano, a proje\u00e7\u00e3o de crescimento dos emergentes \u00e9 4,6% e a do Brasil, pouco acima de 1%. No primeiro trimestre o PIB do Brasil cresceu, apenas 0,2% em rela\u00e7\u00e3o anterior e 1,8% em um ano.<\/p>\n<p>O problema do baixo crescimento (como de resto, os problemas macroecon\u00f4micos em geral) t\u00eam v\u00e1rias causas. Certamente a falta de confian\u00e7a do setor empresarial para realizar investimentos \u00e9 uma delas. Mas, o atual n\u00edvel da taxa de juros \u00e9 fator<br \/>\nexplicativo fundamental, ocupando a posi\u00e7\u00e3o de uma das mais elevadas taxas de juros reais do planeta. Nos pa\u00edses desenvolvidos a taxa de juros reais, neste momento, s\u00e3o negativas, o mesmo ocorrendo, inclusive, em alguns pa\u00edses emergentes. No Brasil o \u201cespirito animal\u201d do empres\u00e1rio tem sido facilmente abatido por investimentos que faturam 4,5% reais, com risco zero e sem necessidade de se colocar os p\u00e9s na f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Em 2011, a equipe econ\u00f4mica do governo Dilma, visando retomar um crescimento mais forte do PIB, adotou, durante 19 meses consecutivos uma pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o na taxa de juros Selic. Entre setembro de 2011 e 7 de  mar\u00e7o de 2013, baixou a taxa b\u00e1sica de juros de 12% ao ano para 7,25%. Chegou a 2% reais, a menor taxa da hist\u00f3ria. Os chamados rentistas tinham lucrado em m\u00e9dia, acima da infla\u00e7\u00e3o, 18,5%, no segundo Governo FHC. No segundo governo Lula, ainda faturou, limpo, 11,5%, em m\u00e9dia. Sob o governo Dilma, este percentual ainda era alto, mas caiu para 4%, em m\u00e9dia. Quando, em 2011 o governo resolveu come\u00e7ar a colocar as taxas de juros no Brasil em linha com as taxas dos pa\u00edses \u201ccivilizados\u201d, entrou em rota de colis\u00e3o com o setor rentista, tendo o governo, finalmente, cedido em mar\u00e7o do ano passado, dada a press\u00e3o vinda dos chamados \u201cformadores de opini\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A press\u00e3o inflacion\u00e1ria verificada especialmente nos primeiros meses de 2013, relacionada diretamente \u00e0 queda na produ\u00e7\u00e3o de alguns produtos agr\u00edcolas de alto consumo, causada por s\u00e9rios problemas na agricultura (maior seca no Nordeste em meio<br \/>\ns\u00e9culo e s\u00e9rios desastres clim\u00e1ticos no Sul do Pa\u00eds) foi o ingrediente que faltava. Os citados formadores de opini\u00e3o alardearem um suposto \u201cdescontrole inflacion\u00e1rio\u201d e a necessidade imediata de elevar a taxa Selic para enfrentar o problema. Naquele per\u00edodo, como ocorre tamb\u00e9m agora, o aumento dos pre\u00e7os de alguns itens de elevado consumo, num contexto de forte gera\u00e7\u00e3o de empregos e do crescimento da massa salarial (o consumo das fam\u00edlias cresce continuamente h\u00e1 uma d\u00e9cada), que possibilita que os trabalhadores possam continuar consumindo, exercia tamb\u00e9m, \u00e9 claro, uma press\u00e3o sobre os pre\u00e7os (infla\u00e7\u00e3o, na verdade, decorrente de uma virtude da atual conjuntura brasileira).<\/p>\n<p>Em boa parte a baixa capacidade de investimentos do governo federal est\u00e1 relacionada com a eleva\u00e7\u00e3o dos juros, j\u00e1 que, cada 1 ponto percentual de aumento na Selic o gasto anual do governo com juros aumenta em torno de R$ 50 bilh\u00f5es. No ano passado, o pa\u00eds gastou R$ 249 bilh\u00f5es com juros, da d\u00edvida p\u00fablica, equivalentes a quase 5% do PIB. Mas esse valor j\u00e1 foi maior: em 2002 os rentistas levaram R$ 570 bilh\u00f5es de reais em valores atuais, mais de 14% do PIB. A economia de R$ 321 bilh\u00f5es na despesa com os credores da d\u00edvida em parte foi direcionada para o investimento p\u00fabico em infraestrutura urbana (portos, aeroportos, estradas, saneamento) e para o gasto social (valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, Bolsa Fam\u00edlia, programa Minha Casa,Minha Vida).<\/p>\n<p>Ainda que o objetivo anunciado seja segurar a infla\u00e7\u00e3o, esse novo ciclo de aumento de juros n\u00e3o tem surtido o efeito desejado. Desde abril de 2013 a Selic passou de 7,25% para os 11,25% atuais e a infla\u00e7\u00e3o cedeu recentemente, por uma quest\u00e3o de normaliza\u00e7\u00e3o da oferta, principalmente de produtos alimentares de alta demanda, como observado, que apresentam redu\u00e7\u00e3o em seus pre\u00e7os h\u00e1 alguns meses, inclusive no atacado. No entanto, se a eleva\u00e7\u00e3o da Selic n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o eficiente para o controle de pre\u00e7os que aumentam em fun\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o da oferta, ela acerta em cheio o n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica. Nesta altura do ano as previs\u00f5es decrescimento do PIB dos analistas de mercado est\u00e3o abaixo de 1%.<\/p>\n<p>S\u00e3o conhecidos tamb\u00e9m os efeitos dos juros tamb\u00e9m sobre o custo empresarial. Segundo levantamento da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) os custos do capital de giro da ind\u00fastria aumentaram 33% no primeiro trimestre de 2014 em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado. Al\u00e9m do mais, taxas de rendimento financeiro pr\u00f3ximas de 5% em termos reais, retira toda a motiva\u00e7\u00e3o dos investimentos produtivos.<br \/><em>*Economista e supervisor t\u00e9cnico do Dieese em Santa Catarina.<\/em><\/p>\n<p>The post Crescimento, infla\u00e7\u00e3o e taxa de juros appeared first on Economia SC.<\/p>\n<p>Via: <a href=\"http:\/\/economiasc.com.br\/crescimento-inflacao-e-taxa-de-juros\/\" class=\"colorbox\" title=\"Crescimento, infla\u00e7\u00e3o e taxa de juros\">economiasc.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"ftpimagefix\" style=\"float:left\"><img decoding=\"async\" width=\"250\" alt=\"Perfil-Jose-Alvaro-Cardoso-222x300\" src=\"http:\/\/economiasc.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Perfil-Jose-Alvaro-Cardoso-222x300.jpg\"><\/div>\n<\/p>\n<p>No acumulado no ano (janeiro a maio) a produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria geral registrou queda de 1,6%, no desagregado da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, a queda no per\u00edodo \u00e9 de -2,4%. N\u00e3o h\u00e1 melhor indica\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de atividade que os pr\u00f3prios dados do PIB. A crise internacional \u00e9 importante, mas n\u00e3o explica tudo. Em 2011, os chamados emergentes cresceram 6,4% e o Brasil, 2,7%. Em 2012, os emergentes 5,1% e o Brasil, 1%. Em 2013 os crescimentos foram, respectivamente, de 4,7% e o Brasil 2,5%. Para este ano, a proje\u00e7\u00e3o de crescimento dos emergentes \u00e9 4,6% e a do Brasil, pouco acima de 1%. No primeiro trimestre o PIB do Brasil cresceu, apenas 0,2% em rela\u00e7\u00e3o anterior e 1,8% em um ano.<\/p>\n<p>O problema do baixo crescimento (como de resto, os problemas macroecon\u00f4micos em geral) t\u00eam v\u00e1rias causas. Certamente a falta de confian\u00e7a do setor empresarial para realizar investimentos \u00e9 uma delas. Mas, o atual n\u00edvel da taxa de juros \u00e9 fator<br \/>\nexplicativo fundamental, ocupando a posi\u00e7\u00e3o de uma das mais elevadas taxas de juros reais do planeta. Nos pa\u00edses desenvolvidos a taxa de juros reais, neste momento, s\u00e3o negativas, o mesmo ocorrendo, inclusive, em alguns pa\u00edses emergentes. No Brasil o \u201cespirito animal\u201d do empres\u00e1rio tem sido facilmente abatido por investimentos que faturam 4,5% reais, com risco zero e sem necessidade de se colocar os p\u00e9s na f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Em 2011, a equipe econ\u00f4mica do governo Dilma, visando retomar um crescimento mais forte do PIB, adotou, durante 19 meses consecutivos uma pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o na taxa de juros Selic. Entre setembro de 2011 e 7 de  mar\u00e7o de 2013, baixou a taxa b\u00e1sica de juros de 12% ao ano para 7,25%. Chegou a 2% reais, a menor taxa da hist\u00f3ria. Os chamados rentistas tinham lucrado em m\u00e9dia, acima da infla\u00e7\u00e3o, 18,5%, no segundo Governo FHC. No segundo governo Lula, ainda faturou, limpo, 11,5%, em m\u00e9dia. Sob o governo Dilma, este percentual ainda era alto, mas caiu para 4%, em m\u00e9dia. Quando, em 2011 o governo resolveu come\u00e7ar a colocar as taxas de juros no Brasil em linha com as taxas dos pa\u00edses \u201ccivilizados\u201d, entrou em rota de colis\u00e3o com o setor rentista, tendo o governo, finalmente, cedido em mar\u00e7o do ano passado, dada a press\u00e3o vinda dos chamados \u201cformadores de opini\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A press\u00e3o inflacion\u00e1ria verificada especialmente nos primeiros meses de 2013, relacionada diretamente \u00e0 queda na produ\u00e7\u00e3o de alguns produtos agr\u00edcolas de alto consumo, causada por s\u00e9rios problemas na agricultura (maior seca no Nordeste em meio<br \/>\ns\u00e9culo e s\u00e9rios desastres clim\u00e1ticos no Sul do Pa\u00eds) foi o ingrediente que faltava. Os citados formadores de opini\u00e3o alardearem um suposto \u201cdescontrole inflacion\u00e1rio\u201d e a necessidade imediata de elevar a taxa Selic para enfrentar o problema. Naquele per\u00edodo, como ocorre tamb\u00e9m agora, o aumento dos pre\u00e7os de alguns itens de elevado consumo, num contexto de forte gera\u00e7\u00e3o de empregos e do crescimento da massa salarial (o consumo das fam\u00edlias cresce continuamente h\u00e1 uma d\u00e9cada), que possibilita que os trabalhadores possam continuar consumindo, exercia tamb\u00e9m, \u00e9 claro, uma press\u00e3o sobre os pre\u00e7os (infla\u00e7\u00e3o, na verdade, decorrente de uma virtude da atual conjuntura brasileira).<\/p>\n<p>Em boa parte a baixa capacidade de investimentos do governo federal est\u00e1 relacionada com a eleva\u00e7\u00e3o dos juros, j\u00e1 que, cada 1 ponto percentual de aumento na Selic o gasto anual do governo com juros aumenta em torno de R$ 50 bilh\u00f5es. No ano passado, o pa\u00eds gastou R$ 249 bilh\u00f5es com juros, da d\u00edvida p\u00fablica, equivalentes a quase 5% do PIB. Mas esse valor j\u00e1 foi maior: em 2002 os rentistas levaram R$ 570 bilh\u00f5es de reais em valores atuais, mais de 14% do PIB. A economia de R$ 321 bilh\u00f5es na despesa com os credores da d\u00edvida em parte foi direcionada para o investimento p\u00fabico em infraestrutura urbana (portos, aeroportos, estradas, saneamento) e para o gasto social (valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, Bolsa Fam\u00edlia, programa Minha Casa,Minha Vida).<\/p>\n<p>Ainda que o objetivo anunciado seja segurar a infla\u00e7\u00e3o, esse novo ciclo de aumento de juros n\u00e3o tem surtido o efeito desejado. Desde abril de 2013 a Selic passou de 7,25% para os 11,25% atuais e a infla\u00e7\u00e3o cedeu recentemente, por uma quest\u00e3o de normaliza\u00e7\u00e3o da oferta, principalmente de produtos alimentares de alta demanda, como observado, que apresentam redu\u00e7\u00e3o em seus pre\u00e7os h\u00e1 alguns meses, inclusive no atacado. No entanto, se a eleva\u00e7\u00e3o da Selic n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o eficiente para o controle de pre\u00e7os que aumentam em fun\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o da oferta, ela acerta em cheio o n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica. Nesta altura do ano as previs\u00f5es decrescimento do PIB dos analistas de mercado est\u00e3o abaixo de 1%.<\/p>\n<p>S\u00e3o conhecidos tamb\u00e9m os efeitos dos juros tamb\u00e9m sobre o custo empresarial. Segundo levantamento da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) os custos do capital de giro da ind\u00fastria aumentaram 33% no primeiro trimestre de 2014 em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado. Al\u00e9m do mais, taxas de rendimento financeiro pr\u00f3ximas de 5% em termos reais, retira toda a motiva\u00e7\u00e3o dos investimentos produtivos.<br \/><em>*Economista e supervisor t\u00e9cnico do Dieese em Santa Catarina.<\/em><\/p>\n<p>The post Crescimento, infla\u00e7\u00e3o e taxa de juros appeared first on Economia SC.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-3220","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","no-post-thumbnail"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3220"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3220\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}