{"id":2071,"date":"2014-06-02T18:21:00","date_gmt":"2014-06-02T18:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/noticias\/as-razoes-do-baixo-crescimento\/"},"modified":"2014-06-02T18:21:00","modified_gmt":"2014-06-02T18:21:00","slug":"as-razoes-do-baixo-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/noticias\/as-razoes-do-baixo-crescimento\/","title":{"rendered":"As raz\u00f5es do baixo crescimento"},"content":{"rendered":"<div class=\"ftpimagefix\" style=\"float:left\"><img decoding=\"async\" width=\"250\" alt=\"Deixamos de aproveitar os bons momentos para fazer os ajustes estruturais. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/economiasc.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Carlos-Rodolfo-Schneider_imagem-300x200.jpg\"><\/div>\n<p>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Por Carlos Rodolfo Schneider<\/strong><\/p>\n<p>Mais uma vez a hist\u00f3ria se repete. Deixamos de aproveitar os bons momentos para fazer os ajustes estruturais que nos permitam atravessar com mais seguran\u00e7a e tranquilidade per\u00edodos menos favor\u00e1veis. O ganhador do Pr\u00eamio Nobel de Economia, Paul Krugman, relatando a experi\u00eancia no governo americano, disse que normalmente, mesmo que se possa antever uma crise, as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias s\u00f3 acontecem ap\u00f3s o in\u00edcio da mesma. O que sabemos, torna a solu\u00e7\u00e3o muito mais cara e dolorosa.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos nossos governos v\u00eam dizendo que o Brasil est\u00e1 acima do bem e do mal. Que tempestades aqui n\u00e3o passam de marolas, que pequenos ajustes aqui e ali s\u00e3o suficientes para conduzir o pa\u00eds pot\u00eancia, gigante pela pr\u00f3pria natureza, ao seu grande destino, mesmo deitado em ber\u00e7o espl\u00eandido. Mas mais uma vez estamos vendo que as coisas n\u00e3o acontecem por si s\u00f3, pois para colher \u00e9 necess\u00e1rio plantar.<\/p>\n<p>Diante dos crescentes desequil\u00edbrios do nosso sistema previdenci\u00e1rio o historiador americano Francis Fukuyama alerta que o Brasil gasta com pens\u00f5es como se a sua popula\u00e7\u00e3o fosse de idosos, o que dever\u00e1 trazer s\u00e9rias dificuldades no futuro. E pergunta se vamos continuar fazendo politicas p\u00fablicas de emerg\u00eancia ou enfrentar as necess\u00e1rias reformas.<\/p>\n<p>O ex-ministro Antonio Delfim Netto, apoiador do Movimento Brasil Eficiente (MBE), aponta uma disfun\u00e7\u00e3o s\u00e9ria nascida da constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que estabeleceu forte processo de redu\u00e7\u00e3o de desigualdades e prote\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sem que a necess\u00e1ria compatibiliza\u00e7\u00e3o de recursos fosse apontada ou enfrentada pelos governos que se sucederam desde ent\u00e3o, legando-nos uma heran\u00e7a dif\u00edcil de carregar. Uma consequ\u00eancia palp\u00e1vel foi a eleva\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria de 25% do PIB, em 1988, para os 37% atuais, consequ\u00eancia de um foco absoluto da gest\u00e3o fazend\u00e1ria federal na gera\u00e7\u00e3o de receita sem os necess\u00e1rios cuidados com os impactos sobre a competitividade e a atividade econ\u00f4mica. Al\u00e9m do desest\u00edmulo \u00e0 poupan\u00e7a, que hoje n\u00e3o passa de 16% do PIB. Dois importantes entraves ao crescimento dos investimentos.<\/p>\n<p>\u00canfase excessiva no consumo e no aumento dos gastos correntes do poder p\u00fablico durante os anos de bonan\u00e7a, em detrimento de poupan\u00e7a e investimentos est\u00e3o agora cobrando o seu pre\u00e7o. Como diz o diretor da Escola de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas e um dos fundadores do MBE, Yoshiaki Nakano, \u201cn\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a economia brasileira precisa passar por uma s\u00e9rie de ajustes e reformas para retomar um crescimento mais vigoroso e est\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Estudos demonstram que no ano 2000 o consumo do governo no Brasil representava pouco mais de 18% do PIB, semelhante \u00e0 m\u00e9dia dos pa\u00edses avan\u00e7ados e bem acima da m\u00e9dia de 15% dos emergentes. Mas em 2010 j\u00e1 hav\u00edamos crescido para cerca de 22%, ultrapassando as na\u00e7\u00f5es desenvolvidas que chegaram nos 20% e distanciando-nos ainda mais dos emergentes que continuaram no percentual anterior. E pior, segundo Marcos Mendes do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas da Consultoria Legislativa do Senado Federal, 80% das despesas correntes do or\u00e7amento federal s\u00e3o obrigat\u00f3rias, restando para serem contingenciadas apenas as despesas de custeio e manuten\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina p\u00fablica e os investimentos, sendo esses \u00faltimos sempre os sacrificados.<\/p>\n<p>Portanto essa gastan\u00e7a, estimulada por um or\u00e7amento engessado por despesas vinculadas, tem impedido o Brasil de avan\u00e7ar nos investimentos em infraestrutura, que n\u00e3o tem ido al\u00e9m de pouco mais de 2% do PIB, como nos pa\u00edses desenvolvidos onde resta pouco a fazer, contra praticamente o dobro nos pa\u00edses em est\u00e1gio de desenvolvimento semelhante ao nosso. Lembrando tamb\u00e9m que os pa\u00edses avan\u00e7ados devolvem servi\u00e7os de qualidade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, enquanto no Brasil ainda resta muito a melhorar.<\/p>\n<p>Pa\u00eds rico em commodities, fomos amplamente beneficiados, especialmente a partir de 2002, por um ciclo de expans\u00e3o da economia mundial, puxado por um forte crescimento da China. Foi o que nos permitiu um avan\u00e7o significativo no processo de inclus\u00e3o social e de fortalecimento do mercado interno. Mas como observa Delfim Netto: \u201cinfelizmente, tal sucesso escondeu a necessidade e a urg\u00eancia de prosseguirmos com as mudan\u00e7as estruturais necess\u00e1rias para a continuidade do processo quando o ciclo de prosperidade mundial terminasse\u201d. A partir de 2010, diz, o \u201cvento de popa\u201d que nos ajudou transformou-se em \u201cvento de proa\u201d que nos pegou despreparados.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que enquanto n\u00e3o houver vontade pol\u00edtica para implementar as reformas estruturais, como condi\u00e7\u00e3o para reduzir o Custo Brasil, n\u00e3o asseguraremos um fluxo de investimentos suficiente para consolidar o nosso crescimento a uma velocidade que tem sido prometida e n\u00e3o entregue.<\/p>\n<\/p>\n<p><i>Carlos Rodolfo Schneider, empres\u00e1rio em Joinville (SC) e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE)<\/i><\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>The post As raz\u00f5es do baixo crescimento appeared first on Economia SC.<\/p>\n<p>Via: <a href=\"http:\/\/economiasc.com.br\/96226\/\" class=\"colorbox\" title=\"As raz\u00f5es do baixo crescimento\">economiasc.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"ftpimagefix\" style=\"float:left\"><img decoding=\"async\" width=\"250\" alt=\"Deixamos de aproveitar os bons momentos para fazer os ajustes estruturais. 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Que tempestades aqui n\u00e3o passam de marolas, que pequenos ajustes aqui e ali s\u00e3o suficientes para conduzir o pa\u00eds pot\u00eancia, gigante pela pr\u00f3pria natureza, ao seu grande destino, mesmo deitado em ber\u00e7o espl\u00eandido. Mas mais uma vez estamos vendo que as coisas n\u00e3o acontecem por si s\u00f3, pois para colher \u00e9 necess\u00e1rio plantar.<\/p>\n<p>Diante dos crescentes desequil\u00edbrios do nosso sistema previdenci\u00e1rio o historiador americano Francis Fukuyama alerta que o Brasil gasta com pens\u00f5es como se a sua popula\u00e7\u00e3o fosse de idosos, o que dever\u00e1 trazer s\u00e9rias dificuldades no futuro. E pergunta se vamos continuar fazendo politicas p\u00fablicas de emerg\u00eancia ou enfrentar as necess\u00e1rias reformas.<\/p>\n<p>O ex-ministro Antonio Delfim Netto, apoiador do Movimento Brasil Eficiente (MBE), aponta uma disfun\u00e7\u00e3o s\u00e9ria nascida da constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que estabeleceu forte processo de redu\u00e7\u00e3o de desigualdades e prote\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sem que a necess\u00e1ria compatibiliza\u00e7\u00e3o de recursos fosse apontada ou enfrentada pelos governos que se sucederam desde ent\u00e3o, legando-nos uma heran\u00e7a dif\u00edcil de carregar. Uma consequ\u00eancia palp\u00e1vel foi a eleva\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria de 25% do PIB, em 1988, para os 37% atuais, consequ\u00eancia de um foco absoluto da gest\u00e3o fazend\u00e1ria federal na gera\u00e7\u00e3o de receita sem os necess\u00e1rios cuidados com os impactos sobre a competitividade e a atividade econ\u00f4mica. Al\u00e9m do desest\u00edmulo \u00e0 poupan\u00e7a, que hoje n\u00e3o passa de 16% do PIB. Dois importantes entraves ao crescimento dos investimentos.<\/p>\n<p>\u00canfase excessiva no consumo e no aumento dos gastos correntes do poder p\u00fablico durante os anos de bonan\u00e7a, em detrimento de poupan\u00e7a e investimentos est\u00e3o agora cobrando o seu pre\u00e7o. Como diz o diretor da Escola de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas e um dos fundadores do MBE, Yoshiaki Nakano, \u201cn\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a economia brasileira precisa passar por uma s\u00e9rie de ajustes e reformas para retomar um crescimento mais vigoroso e est\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Estudos demonstram que no ano 2000 o consumo do governo no Brasil representava pouco mais de 18% do PIB, semelhante \u00e0 m\u00e9dia dos pa\u00edses avan\u00e7ados e bem acima da m\u00e9dia de 15% dos emergentes. Mas em 2010 j\u00e1 hav\u00edamos crescido para cerca de 22%, ultrapassando as na\u00e7\u00f5es desenvolvidas que chegaram nos 20% e distanciando-nos ainda mais dos emergentes que continuaram no percentual anterior. E pior, segundo Marcos Mendes do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas da Consultoria Legislativa do Senado Federal, 80% das despesas correntes do or\u00e7amento federal s\u00e3o obrigat\u00f3rias, restando para serem contingenciadas apenas as despesas de custeio e manuten\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina p\u00fablica e os investimentos, sendo esses \u00faltimos sempre os sacrificados.<\/p>\n<p>Portanto essa gastan\u00e7a, estimulada por um or\u00e7amento engessado por despesas vinculadas, tem impedido o Brasil de avan\u00e7ar nos investimentos em infraestrutura, que n\u00e3o tem ido al\u00e9m de pouco mais de 2% do PIB, como nos pa\u00edses desenvolvidos onde resta pouco a fazer, contra praticamente o dobro nos pa\u00edses em est\u00e1gio de desenvolvimento semelhante ao nosso. Lembrando tamb\u00e9m que os pa\u00edses avan\u00e7ados devolvem servi\u00e7os de qualidade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, enquanto no Brasil ainda resta muito a melhorar.<\/p>\n<p>Pa\u00eds rico em commodities, fomos amplamente beneficiados, especialmente a partir de 2002, por um ciclo de expans\u00e3o da economia mundial, puxado por um forte crescimento da China. Foi o que nos permitiu um avan\u00e7o significativo no processo de inclus\u00e3o social e de fortalecimento do mercado interno. Mas como observa Delfim Netto: \u201cinfelizmente, tal sucesso escondeu a necessidade e a urg\u00eancia de prosseguirmos com as mudan\u00e7as estruturais necess\u00e1rias para a continuidade do processo quando o ciclo de prosperidade mundial terminasse\u201d. A partir de 2010, diz, o \u201cvento de popa\u201d que nos ajudou transformou-se em \u201cvento de proa\u201d que nos pegou despreparados.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que enquanto n\u00e3o houver vontade pol\u00edtica para implementar as reformas estruturais, como condi\u00e7\u00e3o para reduzir o Custo Brasil, n\u00e3o asseguraremos um fluxo de investimentos suficiente para consolidar o nosso crescimento a uma velocidade que tem sido prometida e n\u00e3o entregue.<\/p>\n<\/p>\n<p><i>Carlos Rodolfo Schneider, empres\u00e1rio em Joinville (SC) e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE)<\/i><\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>The post As raz\u00f5es do baixo crescimento appeared first on Economia SC.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-2071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","no-post-thumbnail"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2071\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}