{"id":11785,"date":"2020-05-16T20:58:11","date_gmt":"2020-05-16T22:58:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/?p=11785"},"modified":"2020-05-16T20:58:11","modified_gmt":"2020-05-16T22:58:11","slug":"a-hora-e-a-vez-do-varejo-de-proximidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cdlbc.com.br\/portal\/noticias\/a-hora-e-a-vez-do-varejo-de-proximidade\/","title":{"rendered":"A hora e a vez do varejo de proximidade"},"content":{"rendered":"<p>* Luiz Alberto Marinho<\/p>\n<p>A pandemia do Covid 19, mais do que provocar novos comportamentos, est\u00e1 acelerando mudan\u00e7as que j\u00e1 se anunciavam no horizonte. Uma dessas tend\u00eancias turbinadas \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o da proximidade. O estilo de vida moderno e as mudan\u00e7as demogr\u00e1ficas, em especial nos grandes centros urbanos, vinha aos poucos alterando a maneira como as pessoas consomem \u2013 e tamb\u00e9m o lugar onde fazem suas compras. Como consequ\u00eancia, polos comerciais mais pr\u00f3ximos das resid\u00eancias ou locais de trabalho da popula\u00e7\u00e3o dessas cidades estavam ganhando espa\u00e7o, \u00e0 medida que conseguiam oferecer a mistura precisa entre produtos e servi\u00e7os relevantes para o p\u00fablico da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os motivos que j\u00e1 favoreciam o varejo de proximidade antes da pandemia s\u00e3o conhecidos e a lista \u00e9 encabe\u00e7ada pela falta de tempo que afeta 62% dos brasileiros, de acordo com estudo feito pela ISMA-BR (International Stress Management Association Brasil). Apesar da pesquisa ter sido feita em 2015, nesses \u00faltimos anos o excesso de tarefas no dia a dia das pessoas n\u00e3o diminuiu. Provavelmente at\u00e9 aumentou.<\/p>\n<p>No caso das mulheres, em boa parte a sobrecarga est\u00e1 relacionada com a dupla jornada \u00e0 qual muitas est\u00e3o submetidas. A participa\u00e7\u00e3o feminina na for\u00e7a de trabalho tem aumentado de forma consistente e impressionante ao longo do tempo. Para entender esse movimento, basta dizer que em 1992 apenas 56,1% das mulheres em idade ativa trabalhavam. Em 2015 o \u00edndice j\u00e1 havia subido 5,5 pontos percentuais e deve chegar a 64,3% em 2030, segundo proje\u00e7\u00f5es do IPEA (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada). Menos tempo e mais cansa\u00e7o s\u00e3o fatores que estimulam o consumo de produtos e servi\u00e7os de conveni\u00eancia.<\/p>\n<p>A maior quantidade de lares habitados por uma \u00fanica pessoa \u00e9 outro vetor de crescimento da procura por praticidade, traduzida na aquisi\u00e7\u00e3o de volumes menores de compras e maior utiliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, como o de alimentos preparados. No Brasil, entre 2000 e 2012, o n\u00famero de resid\u00eancias com esse perfil pulou de 4,1 milh\u00f5es para 6,9 milh\u00f5es, uma eleva\u00e7\u00e3o de 68%. A maior parcela dos que vivem s\u00f3s \u00e9 composta por idosos. De fato, continentes onde a idade m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 maior contam com mais resid\u00eancias unipessoais. Na Europa, por exemplo, 27,7% das resid\u00eancias possuem um morador apenas. No Brasil, s\u00e3o 12%, de acordo com dados do Censo de 2010. A tend\u00eancia de envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira sugere, portanto, que a demanda por conveni\u00eancia e proximidade deve evoluir ainda mais no futuro.<\/p>\n<p>Por fim, embora n\u00e3o menos importante, devemos ressaltar os congestionamentos cada vez mais frequentes nas grandes cidades, que reduzem a propens\u00e3o em utilizar ve\u00edculos para o deslocamento, favorecendo o com\u00e9rcio pr\u00f3ximo das casas e locais de trabalho das pessoas. Por este motivo, e tamb\u00e9m pelo desejo de viver de forma mais saud\u00e1vel, muita gente andava deixando o carro de lado e adotando caminhadas para cumprir tarefas rotineiras. Estudo recente da Kantar mostrou que, em S\u00e3o Paulo, o uso de carros deve cair 28% at\u00e9 2030. Por outro lado, a frequ\u00eancia de caminhadas deve subir 25%. A conclus\u00e3o \u00f3bvia \u00e9 que com\u00e9rcios mais pr\u00f3ximos, que os consumidores podem alcan\u00e7ar a p\u00e9, levar\u00e3o vantagem em rela\u00e7\u00e3o aos mais distantes.<\/p>\n<p>Todos esses fatores beneficiam, em nosso pa\u00eds, o consumo de conveni\u00eancia em polos comerciais caracterizados pela proximidade da casa ou trabalho das pessoas. Assim como explicam a evolu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida das opera\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os em compara\u00e7\u00e3o com lojas que comercializam simplesmente produtos. De fato, se somarmos os estabelecimentos de varejo e de servi\u00e7os em opera\u00e7\u00e3o no Brasil, encontraremos 60% deles dedicados a servi\u00e7os e 40% a atividades varejistas, de acordo com relat\u00f3rio do IPC Maps. Vale dizer ainda que, entre 2001 e 2018, a quantidade de opera\u00e7\u00f5es de varejo triplicou em nosso pa\u00eds, enquanto as unidades de servi\u00e7os cresceram nada menos do que seis vezes. Isso prova que os brasileiros est\u00e3o consumindo muito mais servi\u00e7os do que antigamente.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es para a expans\u00e3o do mercado de proximidade no Brasil est\u00e3o colocadas. H\u00e1 poucas d\u00favidas de que ele crescer\u00e1 e tomar\u00e1 uma fatia importante do consumo das pessoas, favorecendo com\u00e9rcio local, shopping centers com ampla \u00e1rea de influ\u00eancia, com\u00e9rcio em terminais de transporte e strip malls. E os centros comerciais mais distantes, como ficam? Estes precisar\u00e3o investir em opera\u00e7\u00f5es que sejam destino, na oferta de experi\u00eancias diferenciadas e em um mix de lojas muito atraente, com foco em experi\u00eancias. Quem viver, ver\u00e1.<\/p>\n<p>Fonte: Mercado &amp; Consumo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Luiz Alberto Marinho A pandemia do Covid 19, mais do que provocar novos comportamentos, est\u00e1 acelerando mudan\u00e7as que j\u00e1 se anunciavam no horizonte. Uma dessas tend\u00eancias turbinadas \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o da proximidade. 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